Noite de Verão

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Escutai! Há água em nossos tímpanos!

Mas o que incomoda mesmo é esse vento eletrônico e barulhento batendo em minha face. É bom que ele prossiga, essa irritação me é favorável para dar continuidade aos meus delírios.

Escutai! Nuvens resmungam em uníssono!

Apesar do calor que me engolfa em epifanias desconhecidas por todos, menos por mim, fui eu quem as criei e foram elas que me enganaram.

Escutai! Há insetos em meus ouvidos!

Não me deixam dormir, retirando a última gota de sono de que tanto anseio.

Ah! O sono... assim como esse texto, não passa de um leve devaneio, algo que passa despercebido como uma lamentação de amor em meio aos gritos de paixão.

E a chuva?!

Parou, assim como aquele desejo, que continha um molhado beijo, expirou.

Histórias pífias e segredos tolos formam a síntese de uma vida sem sentido, o romantismo se absteve diante de tanta ousadia. Favor se fores vir não tragas o teu sentimento sem graça, que a mim já não me enganas.

Sinta! O cheiro de terra molhada!

Pois a chuva de uma noite de verão é interrompida por olhos pesados e uma mão cansada.

2 comentários:

Mayara.Oliver disse...

tô seguindo. Sem calote !

marcos azevedo disse...

Agora sim. Muito bons os textos. Mesmo!Marin!

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